sábado, 30 de maio de 2009

It's no problem of mine but it's a problem I find

The wisdom of the fool won't set you free


Sempre volta, não sei porque. Às vezes demora mais, mas sempre volta. E tudo de uma vez.
Primeiro vem o gatilho, alguma coisa idiota te faz lembrar, e em menos de meia hora você está deitado no sofá chorando que nem uma criança assistindo um episódio de One Tree Hill. E por alguns instantes, um minutou, ou dois, você se entrega. Deixa a maior tristeza do universo se abater sobre você. E pára. Levanta. Enxuga o rosto. E decide que da próxima vez, vai demorar um pouco mais pra voltar.

terça-feira, 19 de maio de 2009

"A hipocrisia é a homenagem que o vício presta à virtude"

Ha, ha. Já vi homens como você em filmes, mas nunca na vida real - Ela faz uma voz burra, profunda, irritante. - Os homens que não conseguem se comprometer, que não conseguem dizer "Eu te amo" mesmo quando querem, que começam a tossir e engasgar e mudam de assunto. Mas aqui está você. Um espécime vivo, respirando. incrivel.


Conheço os filmes dos quais ela está falando, e eles são idiotas. Dizer "Eu te amo" é fácil, não é porra nenhuma, e quase todo homem que conheço faz isso o tempo todo. Já agi como se não conseguisse dizê-lo algumas vezes, embora não tenha certeza de por quê. Talvez quisesse emprestar a esses momentos uma espécie de romantismo canastrão típico de filmes antigos, torná-los mais memoráveis do que seriam de outra forma. Você sabe como é, você está com alguém e começa a dizer algo, depois pára e ela pergunta "O quê?", e você manda "Nada", e ela manda "Por favor, fala", e você manda "Não, vai parecer idiota" e ela então força você a cuspir fora o negócio, embora você tivesse a intenção de dizê-lo o tempo todo, e ela acha que tem mais valor ainda por ter sido difícil de conseguir. Talvez soubesse o tempo todo que você estava de sacanagem, mas de qualquer maneira ela não se importa. É como uma citação: é o mais perto que conseguimos chegar de estar dentro de um filme, aqueles poucos dias em que você decide que gosta de alguém o suficiente para dizer a ela que a ama, e não quer estragar tudo com uma pitada de sinceridade direta, sensata e austera.

Mas eu não vou corrigir ela. Não vou dizer que tudo isso é uma maneira de recuperar o controle, que eu não sei se amo ou não, mas não vou descobrir nunca enquanto ela estiver se relacionando com uma outra pessoa; prefiro que pense que sou um desses estereótipos da fase anal, de poucas palavras, e dedicados, que eventualmente vêem a luz. Acho que a longo prazo isso não me fará mal.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Preliminares

Leia uma revista feminina e você verá a mesma queixa várias e várias vezes: os homens - esses garotinhos com dez ou vinte ou trinta anos a mais - são um caso perdido na cama. Não estão interessados nas "preliminares"; não têm nenhum desejo de estimular as zonas erógenas do sexo oposto; são egoístas, ávidos, desajeitados, sem sofisticação. Essas queixas, você não pode deixar de perceber, são algo irônicas. Quando se tem treze ou quatorze anos, tudo o que queremos são preliminares, e as garotas não estavam interessadas. Elas não queriam ser tocadas, acariciadas, estimuladas, excitadas, na verdade, costumavam nos bater se tentássemos fazer isso. Não é muito surpreendente que não sejamos muito bons na coisa. Passamos dois ou três anos longos e importantes da nossa formação ouvindo dizer, com bastante ênfase, para nem pensarmos nisso. Entre as idades de treze e vinte e três, as preliminares deixam de ser algo que os garotos querem e as garotas não, e passaram a ser algo que as mulheres querem, mas para o qual os homens não têm tempo. (Ou pelo menos é o que eles dizem. No meu caso, eu gosto de preliminares - principalmente porque as ocasiões em que tudo o que eu queria era tocar estão alarmantemente frescas na minha mente.) O par perfeito, na minha opinião, é aquele formado pela leitora de revistas femininas e um garoto de treze anos. Ou não.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Os Mandamentos do Texto-Pseudo-Cult-Do-Blogueiro-Moderno

Começou o texto com o sujeito oculto. (Especificar o sujeito assim de cara, é coisa de gente sem estilo!)

Abusarás da inversão substantivo-adjetivo. (Seu magnífico texto ficará muito mais interessante!)

Criará frases misteriosas que podem ter 2,87 bilhões de significados. (Nada que não fosse o que poderia ter sido, ou será...)

Metáforas! (Ser direto é pobreza cultural!)

Escreva pelo menos uma frase que ninguém, em absoluto, irá entender. (Porque você é mais inteligente do que todos, claro!)

Dicionário de sinônimos sempre vai bem. (Afinal, é importante demonstrar que seu vocabulário é vasto!)

Adjetivos, muitos adjetivos. (Nada pode ser ordinário, mas se for, que seja ordinariamente ordinário!)

Glamour é obrigatório. (Falar sobre o passeio de bicicleta feito no sábado de manhã num calor da porra é proíbido. O desfilar ciclístico em uma ensolarada manhã de sábado é bem melhor.)

Não deixe de demonstrar ao máximo, as sensações. (Cheiros, cores, sabores, dores... todos os ores devem ser enunciados sempre, em qualquer situação!)

Início, meio e fim... jamais! (Pós-modernidade, meu caro!)

A realidade deve ser superestimada. (Especialmente quando for falar sobre ela!)

Terminarás o texto deixando uma nota solta no ar. (Afinal...)

sexta-feira, 10 de abril de 2009

There's nothing else to compare

She burns like the sun and I can't look away


Serão os olhos verdes? O cabelo? As curvas? O sorriso... Ah! O sorriso... A voz? O mau-humor? A cara de sono? A pinta?... Santa localização, Batman!... A orelhinha? O mistério? A paciência? A irritação que me causa? A gargalhada que não pode ser contida? Os gemidos, de prazer, de raiva, de tédio? O andar? O choro contido? A mania de me acordar as 3 da manhã? A falsa modéstia? A pseudo-timidez? A perícia no volante? O olhar capaz de me calar? A mão, e a forma com que não consegue ficar longe da minha? O cheiro?... Deus do céu, o cheiro... A loucura? O instinto? As frases desconexas? Os talentos culinários (sou mais os meus)? O sabor?...

Acima de tudo, a forma com que ela diz meu nome...

terça-feira, 7 de abril de 2009

I've got something that's all mine

Sim, eu sei. Exatamente, mas que culpa tenho eu? Ninguém mandou tirar o dedo do dique. Agora aguenta. =)

A primeira diz sobre o passado... A segunda sobre o futuro... Essa é sobre o presente.

O fato é: essa é mais curta. Já que, como Santana diria por mim...
Every time I try to talk to you
I get tongue-tied
Turns out, everything I say to you
Comes out wrong and never comes out right

Eu tentarei ser o mais sucinto o possível... Para não ter perigo de errar.

"To me, you are perfect - And my wasted heart will love you - Until you look like this... [insert a really really old woman's picture here]"

The Undisputed Truth

And I will go on shining,
shining like brand new.
I'll never look behind me...
My troubles will be few.


"Uma hora, isso tem que acabar... Não faz bem." Não é? Agora, eu me pergunto... Já não tentamos? É tolice, isso tudo que estamos fazendo? Ou tola é a forma com a qual decidimos fazer? Que tal mudar o formato, a idéia original, e tentar alguma coisa que se encaixe no perfil do público alvo? Que tal parar de pensar em quão errado é, e começar a pensar no quão certo pode ser? O monstro já foi solto, embora ele ainda espreite nas sombras, e os camponeses possam desfrutar de sua calmaria. Mas e daqui a alguns dias, quando ele decidir que está com fome, e por um descuido, uma camponesinha de tranças o observar se alimentando? Já ouviu falar de guerra?
Não é melhor tentarmos amansá-lo aos poucos? Levar o pobre coitado para passear com um público restrito? Ou quem sabe até, entregá-lo de uma vez ao xerife? Ficar aqui escondido deixando que ele perambule pelo inconsciente alheio é um perigo. Gostoso. Estimulante. Mas um perigo, danado! Deus do céu, quantas vezes já discutimos isso? Qual é a conclusão mesmo? Ah sim! Foda-se!